sábado, 22 de junho de 2013

Capítulo 16 - Fuleco






- Peraí... O que você disse?! - Justin me olhou seriamente com cara de quem comeu e não gostou, eu sorri falso tentando transmitir á ele a PAZ que eu tanto busco, ele deu de ombros e apertou o volante.

IRMÃOS, ESTAMOS FUDIDOS!

- Sabe Justin, posso te fazer uma pergunta antes de morrer? - Perguntei comendo as unhas.

- O que? - A voz do Ken estava trêmula.

- Pessoas são cheias de pêlos?

- An? - Ele me olhou com uma sobrancelha arqueada, eu ajeitei o retrovisor para que ele pudesse olhar bem a criatura cheia de sangue jogada no meio da pista, e pra completar a desgraça AGENTE ATROPELOU UM LOBISOMEM!!!

- Não é uma pessoa. - Falei baixinho, imaginando que a alma perdida esta sentada aqui no banco de trás prestes a nós matar.

- E não é mesmo. - Justin estava mais aliviado, ou parecia estar. Ele abriu a porta do carro e se colocou para fora, eu poderia pular no banco do motorista dar a partida e sair correndo dali e largar ele ali com o cadáver.

- Eu falei que não era. - Me senti uma fodona apesar de estar sentindo um medo incabivél.

- Vamos lá.

- LÁ AONDE?! - Senti meu cérebro tremer dentro de minha cabeça. - LÁ NO CADÁVER?!

- Atropelamos aquilo seja lá o que for, temos que ajudar. - Dizia ele calmo, TEM UM MORTO é ele ai calmo.

- ATROPELAMOS O ESCAMBAU! VOCÊ ATROPELOU, o imbécil que estava sob a direção do carro era você e não eu! - Cruzei os braços, Justin se escorou na porta do carro e me lançou um olhar que me deu vontade de me atirar pra fora do carro e correr até as montanhas.

- A culpa foi sua.

- Minha culpa vírgula, foi você quem me deixou nua na praia ó infeliz!

- Quer descer dessa porra de carro?

- Me obrigue. - Fiz bico, ele deu a volta no carro e abriu a porta do lado do carona, ele ia me tirar mesmo, mais eu esquivei. - NA BOA VÉI, EU SAIO COM MINHAS PERNAS. - Animal!

Desci do carro e ele bateu a porta. Poderia deixar aberta, vai que o cadáver ganha vida? Caminhamos até a criatura gigantesca estirada naquele asfalto, nossa a pessoa tem fucinho!!! Espera, não é uma pessoa é um...

- CACHORRO! - Gritei com as mãos na boca.

- E TEU PAI! - Gritou Justin e me deu um peteleco na orelha, eu posso matá-lo?

- NÃO SEU ABUTRE, EU ME REFIRO ÁQUELE CACHORRO JOGADO NO CHÃO NÃO NESSE QUE SE ENCONTRA DO MEU LADO! - Berrei mermo.

- Nossa! E um cachorro!!! - Só agora que o comedor foi perceber, se fosse uma dessas atrizes pornôs ele rapidamente iria reconhecer. Digo nada.

- Não Justin, e o São Salomão!

Nos abaixamos perto do cachorro, os olhinhos do bixinho estavam fechados, a língua estava para fora e apesar dos pêlos dele serem amarelinhos, estava todo cheio de sangue, deu dó. Eu medrosa. Justin assassino.

- E agora? - Adivinha quem perguntou? Sim, a anta quadrada do Justin.

- Você quem atropelou. Se vira! - Me levantei e fui em direção o carro mais o capeta do Bieber puxou meu braço obrigando-me a virar pra sua direção, até tremi. Acho que é o frio. EU ESTOU APENAS DE TOALHA CARAÍO.

- Vai me deixar aqui sozinho com esse problema nas costas? - Ele perguntou encarando os meus seios.

- A culpa disso tudo foi sua, se você não tivesse me largado nua na praia nada disso teria acontecido. Agora arque com as consequências e se foda sozinho porque eu não quero que sobre pra mim, seu animal!

- Para de me chamar de animal, estamos com um problema sério pra resolver.

- Estamos? Estamos quem? O único que tem problemas sérios aqui pra resolver é você. Aliás, eu acho bom você buscar ajuda com um profissional seu caso e sério meu chapa!

- Tá me chamando de doido?

- Você atropelou um cachorro, caso tenha esquecido! - Apertei a toalha mais á mim, tive um pressentimento que a cretina estava caindo. - Ouviu? Te vira!

- Carly...?

- Você matou! Seu assassino! Vou te tacar na cadeia e sem direito de "abrir os corpos".

- Você quer dizer Habeas Corpus? - Perguntou ele sério, eu? Eu boiei obvio.

- E bem essa paradinha ai mesmo. - Falei sem importância. Ele grunhiu.

- Me ajuda á colocar o cadáver dentro do carro. - Disse ele de imediato, eu dei a louca. Eu enlouquei.

- O QUE? - Acho que a vizinhança toda ouviu meu grito. - VOCÊ QUER COLOCAR UM MORTO DENTRO DO CARRO? - Justin pulou feito uma bixa louca até mim e soldou sua mão na minha boca e pressionou, na busca de me calar. Se eu quiser continuar gritando eu posso mordê-lo. Simples assim.

- Cala a boca, quer que todo mundo escute? - Tirei a mão dele da minha boca e imaginei por onde essa mão andou e fiz cara de enojada, argh!

- Tenho certeza que todo mundo ouviu. Você está no pal do jumento cumpadi! - Ri retardadamente. - Sabe? Acho que aquele senhor policial ali quer tirar satisfações com o assassino do dog, no caso seria você. Seria não... É VOCÊ! - Apontei para o bombadão que estava descendo de uma moto policial, eu acabei de lembrar que vou me fuder porque estou apenas de toalha aqui no meio da rua com um cadáver á centímetros de mim. Se eu morrer, quero que saibam que eu amo vocês.

- HEY, VOCÊS DOIS AI! - Gritou o policial, eu gelei dos pés a cabeça, Justin suspirou e pegou na minha mão, ele vai me arrastar pro inferno. Afinal, lá não faz frio.

Andamos em passo de tartaruga até o senhor policial, o mesmo analisava o morto. Paramos na frente dele, ele olhou pra mim e fez cara interrogatória, perguntando-se o porquê de eu estar assim, tão... Vestida. Justin passou a mão livre no cabelo enquanto sua outra mão começava aos poucos a apertar a minha, fela da pota.

- Devo perguntar o que aconteceu? - Disse o policial e cruzou os braços, ele esperava respostas.

- Bem... - Justin tentava uma justificativa.

- PARA TUDOOOOO! - Gritei. - O sinhô poliii, quero que saiba que se eu estou aqui no meio do nada de toalha a culpa e desse insolente! - Apontei o dedo na cara do Justin. - O maníaco me largou nua na praia, e eu tive que me virar né? Eu fiquei diversas horas dentro daquela água salgada que já estou me sentindo uma peixa. Na boa, eu odiei as horas que passei naquela água mais até que foi daora me deu tempo pra pensar na minha vida de merda.

- Continue. - O policial queria saber mais, beleza então véio.

- Então quando estava anoitecendo eu sai da água e a praia estava vazia, achei essa toalha na areia, uma alma bem boa esqueceu ela e eu usei, então eu trombei no gostosão do Christian o amigo desse mal amado... - Apontei pro Justin de novo. - E começamos a conversar e esse mal amado apareceu, e resolveu me trazer, estavámos indo pra minha casa e começamos a discutir feito um casal COISA QUE NÃO SOMOS. - Gritei para ele gravar essas 4 palavrinhas mágicas. - E ai foi o que aconteceu... - Apontei pro morto. - Ele atropelou o cãozinho.

- Deixa ver se eu entendi... - Ele ajeitou a calça que estava caindo. - Ele... - O polii apontou o dedo para Justin. - Atropelou o cachorro por que não estava prestando atenção na direção?

- Exatamente. - Falei.

- NÃO FOI BEM ASSIM NÃO! - Gritou Justin indignado. - Na verdade foi. - Voltou atrás. - Mais eu pago o enterro do cão.

- E não vai ser apesar o enterro do cão que você vai apagar. - Ele puxou uma cardeneta do bolso da jaqueta e começou a anotar umas paradas lá e jogou na cara de Justin, educado não? - Vai pagar essa multa também. Você deveria ser preso.

- ISSO SENHOR POLICIAL, E SEM O "ABRIR OS CORPOS".

- Você quer dizer Habeas Corpus?

- E bem essa paradinha ai mesmo.

- Bom, eu conheço esse cachorro. - Disse o policial olhando seriamente pro cadáver. - O nome dele é Fuleco. - Quase ri. Mais eu aguentei. - A dona dele tem 62 anos. O nome dela e Gertrudes.

- JUSTIN VOCÊ MATOU O CACHORRO DA VELHA! - Gritei e soltei a mão dele para o policial não pensar que estou dando trela pra ele.

- VOCÊ TAMBÉM TEVE CULPA! - Justin tentando se defender.

- EU NÃO TIVE CULPA DE PORRA NENHUMA CARAÍO! - Gritei brava e o policial bufou.


[...]

- MEU CACHORRO MORREU?! - A velha gritou pela nona vez, acho que ela e meia surda tadinha.

- Sim, senhora Gertrudes. - O policial estava sério. - Deseja fazer o velório?

- Meu cachorro... Eu o amava tanto. - Ela se jogou no sofá e começou a chorar.

- Eu também o amava tanto. - Falei séria.

- Você nunca viu esse cachorro na sua vida, pelo menos nunca o viu vivo. - Justin fudendo com meu emocional.

- Cala a boca fio de porra, eu estou apenas dizendo a verdade. O cachorro parecia ser um bom menino e parecia ser mais obediente que você seu cuzão. - Sussurrei brava.

- Vaca.

- Cavalo.

- Bom, eu irei providenciar o caixão do Fuleco. - Disse o policial e olhou para Justin. - Pode vim comigo rapaz? Afinal a culpa disso tudo e sua! - Eu sempre disse isso.

- Claro. - Justin me encarou, eu me arrepiei.

- Vão me deixar aqui sozinha com ela? - Perguntei apontando o dedo assustada pra Gertrudes.

- Sim, faça companinha pra moça. - Disse Justin dando tapinhas no meu ombro, moça é?

Eles saíram rapidamente e eu fiquei ali em pé, tentando manter distância da senhora moça, vai que ela decide se vingar pela morte do Fuleco e me mate aqui? Então, e melhor eu manter distância dela. E para o meu bem, meu único e adorável bem!

- Senta aqui querida. - Pediu ela parando de chorar, eu caminhei lentamente até ela e me sentei. - MEU CACHORRINHO MORREU! - Ela me abraçou fortemente e começou a chorar no meu ombro, franzi os lábios e deixei a tia Gertrudes me abraçar, e molhar minha toalha, que está servindo de roupa pra mim no momento.

- Fica calma... - Pedi. - Vai ficar tudo bem. - Claro que não vai ficar nada bem.

Fiquei ali servindo de lencinho humano pra véia umas duas horas, até que o polii e o comedor chegaram, eu sai dali de onde eu estava e Justin me jogou uma sacola, que DIABO tem aqui dentro?!

- E uma roupa. - Explicou Justin enquanto eu encarava a sacola. - Você não pode assistir o velório assim de toalha?

- E quem disse que eu vou assistir o velório? Eu vou pra minha casa dormir. - Sussurrei pra ele.

- Você não tem coração?

- Tenho, mais eu não vou ficar tenho medo.

- Medo de quê?

- Do morto!

- Vai se trocar e para de reclamar.

Tirei a roupa da sacola com cara de tomate, o policial foi acalmar a tia Gertrudes, eu olhei para Justin com cara de pidona e me odiei por isso.

- Que foi? - Perguntou ele sério.

- Vem comigo, para eu poder me trocar? Essa casa me dá arrepios. - Claro que ele não vai negar isso.

- Claro que eu vou. - EEEEU SABIA!

Caminhamos até um quarto, quando entramos Justin se jogou numa cama que havia ali, eu comecei a me vestir sem ligar se ele estava ali, fingi que ele era uma alma perdida que vagava pela casa, embora ele seja um demônio dos mais demoniados. Comecei a cantarolar porque eu já estava suando frio, faltava apenas eu vestir a calça quando do nada ele me prensou na parede, vou morrer. HELP ME!

- Me fala que pergunta é essa pela qual o Christian disse que ia pensar?

- Como eu disse comedor, isso não tem nada haver com você, portanto não se meta!

- Fala Carly. - Ele sussurrou no meu ouvido, meus olhos tremeram automaticamente.

- Agora não é hora pra isso.

- Pra isso o quê?

- E o velório do Fuleco, é você ai me seduzindo.

- Eu tô te seduzindo? - Ele disse a frase toda em tom irônico. FIGHT!!!

- Tá tentando. - Colei minhas mãos no peito dele. - Mais não vai conseguir essa parada não brô.

- Eu já consegui, você que tá ai boiando. - Ele começou a deslizar as mãos dele pela lateral do meu corpo, aquelas mãos otárias foram para o elástico da minha calcinha, quando senti os dedos dele ali eu banquei uma de boxeadora e nocaltiei ele com força, ele caiu no chão metendo a cara no piso, enquanto ele tava ali sofrendo de dor eu vesti minha calça em inúmeros segundos.

- Viu como é bom seduzir os outros? - Ironizei, ele se levando com a mão no queixo. Que pena! Não ficou marcas!

- Carly o que deu em você?

- Velório meu chapa, devemos respeitar. - Mexi em meus cabelos e sai do quarto, percebi que ele logo me seguiu.

Nos aproximamos do policial, haviam tantos velhos aqui, isso tava mais parecendo um asilo, a tia Gertrudes tem muitos amigos! Ela chorava do lado do caixão pelo qual estava o Fuleco, eu senti remorso, pior é o Justin, o que ele deve tá sentindo por ter matado um serzinho inocente? REMORSO DUPLO!!! O policial puxou meu braço e o de Justin até o canto da sala, lá vem desgraça.

- Tenho um serviço pros dois. - Disse ele sério.

- Ai meu Deus! - Sussurrei entredentes.

- Fala. - Justin disse rouco.

- Por vocês terem sido os responsáveis pela morte do Fuleco, vocês teram que cuidar da Gertrudes até o resto da vida dela!

- Vou virar babá de velha agora? - Eu disse merda!

- Exatamente. - O policial quase me engoliu. - Os dois!

- Mais o Justin quem atropelou o Fuleco! - Lembrei á ele.

- E você estava no carro. - O policial riu. - Começaram semana que vem a cuidar dela. - Ele nos encarou e saiu dali, indo até o caixão, eu dei um tapa no ombro do Justin com força.

- Nunca mais ando com você em veículo algum! - Falei.

- E nem eu te carregarei mais! - Disse ele.

- A única coisa que poderia nos livrar disso tudo era o Fuleco reviver.

- Então esquece Carly, isso nunca vai acontecer.

- Never Say Never chapa!

Nos aproximamos do caixão, o padre tava lendo o livro, falando algumas palavras lindas lá, eu encarei o cachorro e desejei estar na minha cama, dormindo de boa. Isso é um pesadelo eu vou acordar e vou fingir que isso nunca aconteceu, Justin me abraçou, bancando um de emocionado, eu bufei. E impressão minha ou ele tá tirando uma casquinha de minha pessoa?!

- Justin...? - Sussurrei para não atrapalhar o padre e suas lindas palavras.

- Hm...?

- O cachorro tá mexendo a pata esquerda, tá vendo? - Apontei, e Justin riu pelo nariz.

- A doidice já subiu sua cabeça?

- Eu tô falando sério, a pata dele tá mexendo!

- Não tá não, e impressão sua!

- AMÉM IRMÃOS! - Gritou o padre e eu ouvi um latido.

- Justin... - Tremi a língua. - Me diga que foi você quem latiu. - Torci pra ele dizer sim.

- Eu não sou cachorro pra latir!

Encaramos o caixão e eu vi o Fuleco pulando de lá de dentro e vindo na minha direção, minhas pernas tremeram, ele pulou em cima de mim, caímos no chão e ele começou a passar aquela imensa língua na minha cara, eu acabei desmaiando, enquanto o difunto me lambia. Acho que vou parar no hospital mais uma vez por culpa do Justin!!!

Quando eu acordar SE EU ACORDAR, vou encher a cara dele de bolachas!!!

Nenhum comentário:

Postar um comentário